Prazer da Escrita
Domingo, Maio 27, 2012
Domingo, Maio 20, 2012
A semana passada tive cá em casa uma demonstração da "Bimby". Bem sei que há uns tempos atrás escrevi aqui no blogue um texto sobre este electrodoméstico, em que fazia menção ao facto de ser um utensílio usualmente preterido por quem gosta de cozinhar "à moda antiga". Pois bem. Derivado do facto de não saber cozinhar nem "à moda antiga" nem à "moda nova", aqui o escriba resolveu comprar uma destas maravilhosas e úteis máquinas. E dar continuidade a um prazer antigo que é o de cozinhar. Dado que na forma "convencional" não fui bem sucedido, espero sê-lo com a minha mais nova aliada.
O conceito da "Bimboca", como carinhosamente a passei a chamar (sendo que há pessoas que pensam que me refiro à minha cara-metade), é simples. Simplificar o que é complexo. Facilitar (e expeditar) o tempo que diariamente se passa na cozinha. Mas é mais que isso. Para quem como eu, gosta de pensar que "gosta de cozinhar" e não sabe...é a solução. Porquê? Simples.
Os refogados, cozer a vapor, cremes, maioneses, molhos, etc., passam a ser feitos com recurso à Bimboca. Tudo no mesmo local. Sem necessidade de andar a sujar loiça, de sujar cozinha e por aí adiante. Quem cozinha sabe do que falo. Não conheço outra forma de conseguir sopas tão cremosas ou de produção de gelado em menos tempo do que demora enviar um e-mail. Em grande parte deve-se à elevada rotação que o motor desta dádiva divina (estou tentado a dizer que se há algo melhor...Deus guardou para si). Para terminar, é óptimo porque o conseguir verdadeiros brilharetes em refeições torna-se simples. À distância de seguir a receita e as quantidades reflectidas na mesma.
Por isso, agora é experimentar receitas. Muitas (já comprei um livro de receitas para a Bimboca na Feira do Livro). E ir aprimorando o "dedo" para a cozinha. Há quem diga que a cozinha é relaxante. Vou experimentar para depois poder opinar com conhecimento de causa!
Domingo, Maio 13, 2012
Este ano fui duas vezes à tão conhecida Feira do Livro de Lisboa. 82ª edição, se não estou em erro, sendo que já lá vou há muitos anos. Se não estou em erro, nunca falhei uma edição, o que me dá algum conhecimento de causa para avaliar a edição da Feira do Livro de 2012.
O saldo, comparativamente a edições anteriores, é infelizmente, e no meu entender, negativo. Menos "stands"e mais gente. Outra coisa não seria de esperar. As editoras deixam ver este tipo de evento como uma oportunidade agradável para escoar edições de livros a "preços de feira", ou seja, preços mais "em conta". Por outro lado, e à semelhança de outros anos, a Feira do Livro acaba por ter lugar sempre no mesmo lugar, no Parque Eduardo VII, bem no coração da nossa querida cidade de Lisboa e desenvolvendo-se desde a rotunda do Marquês de Pombal até ao topo do Parque Eduardo VII. Ou seja, convidativa a uns longos a prazeirosos passeios pós-jantar. Gosto. Eu e todos os portugueses do meu Portugal. O que como já se vê, provoca aquela típica moldura humana típica que não raro resulta em encontrões, pedidos de licença para passar, etc..
Quem como eu conhece bem a Feira do Livro estabelece rapidamente paralelismos com edições de anos anteriores, e depreende que só os grandes grupos livreiros têm capacidade financeira para montar "stands". E claro, interesse. Estamos a falar de grandes grupos livreiros que actualmente congregam várias editoras, que no passado foram independentes. E curiosidade..este ano a feira desenvolveu-se até....metade do Parque Eduardo VII. Quando há alguns anos me recordo que chegava ao topo superior do Parque com "os bofes de fora". Não só porque havia muitos mais "stands", bem como....a Feira acontecia mais tarde. E explico o porquê desta nota.
Este ano a Feira do Livro aconteceu muito mais cedo. Isto fez-me uma confusão imensa. Não estava mentalmente preparado para ir à Feira no início de Maio. Não faz sentido. Sempre, sempre, sempre...fui à Feira do Livro em meados de...Junho. Posso adiantar que era usual, em edições de anos anteriores, a dada altura, comer uma fartura e sentir o cheiro a sardinhas assadas no ar. Ou ver e sentir o aroma característico de uma ou outra banca de manjericos (na medida em que estava próximo o S. António). E este ano nada. Uma "roulotte" das "Farturas Otário", duas outras com "Farturas à Scalabitano" e dois barracas da ginjinha de Óbidos. Nota: Confesso que nestas barracas tive de parar para "virar" duas ginjas. Uma em cada uma delas. Para ver se a ginja "era da boa"...
O que é certo é que estou lá todos os anos. Mesmo a dizer mal. Mesmo com menos "stands". E com a realização do evento cada vez mais cedo...
Domingo, Maio 06, 2012
Uma das minhas queridas primas convidou-me a mim (sim, a mim), para começar a correr com ela. Adianto desde já que me senti verdadeiramente lisonjeado pelo facto da minha prima se ter lembrado aqui do escriba. Resta saber o porquê dessa lembrança. Mas quase que aposto que se deve ao facto de não querer ir sozinha (lógico), mas também pelo facto de todas as amigas morarem longe. E o facto de eu morar perto.
É claro que sendo minha prima direita o convite tem outro "pêso". Aliás, desconfio que sabia que a probabilidade de lhe dizer "não" era reduzida ou nula. Afinal trata-se do pedido de uma prima. Não é vindo de qualquer pessoa. E resolvi aceder. Mais a mais era de exercício físico que se tratava. E claro...mal não faz, certo?
Como em tantas outras coisas, foi quando desliguei o telefone que realizei o que tinha feito. Correr sem ter necessidade de o fazer. Onde já se viu? Sem ser para amparar o carro que me esqueci de travar. Sim, também já me aconteceu... Sem ser para apanhar o autocarro que já fechou as portas. Quantas e quantas vezes...Sem ser para ir para a sala de embarque de um desses aeroportos cujo tamanho equivale a 10 estádios de futebol. E com a minha sorte, tenho de calcorrear, de "ponta-a-ponta" para ir apanhar o avião. Mas não se tratava de nenhuma dessas situações.
Das últimas vezes que corri.... senti coisas que nunca tinha sentido. Estranhas. A zona dos gémeos parecia que estava a ser esfaqueada com um cutelo do talho do Sr. Jorge. E que os cortes eram regados com álcool etílico logo o seguir. Vários passos em falso, trôpego, como se fosse cair e depois ganhasse amparo numa qualquer muleta invisível. Um espectáculo giro de se ver, portanto. E certamente para gáudio de muita gente que deverá naturalmente ter pensado quem era aquele tipo que corria de forma tão curiosa. Já para não falar da respiração. Descompassada. Arritmada e claro, em menos de nada, dá lugar à hiperventilação. Como não podia deixar de ser. Isto tudo em 20 metros de corrida. Bem sei que se trata de um espectáculo que não destoaria nada num alinhamento circense...mas é a minha realidade. E tenho de ser respeitado como tal.
Longe vai o tempo em que gostava de correr. Muito. Quando era miúdo, já lá vão umas valentes décadas. Com o tempo (e o inevitável aumento de pêso), deixei de sentir o chamamento para ir correr. Ou por outra, de deixar de fazer figuras tristes como aquelas que referi acima.
Vamos ver como correm este novo desafio lançado pela minha prima. Ou se não a ultrapasso logo...a rebolar!
Vamos ver como correm este novo desafio lançado pela minha prima. Ou se não a ultrapasso logo...a rebolar!
Domingo, Abril 29, 2012
O "Dia do Trabalhador" deste ano foi marcado por dois episódios. O primeiro episódio foi marcado pela já tão nossa conhecida contestação popular que acontece por esta altura e que tem como consequência (entre outras) as manifestações na Avenida da Liberdade. Faz-me confusão como é que as pessoas que passam um ano a lamuriar-se porque o Estado lhes está a roubar os feriados....teimam em ir descer a Avenida apregoando o..."que-não-é-apregoável". E num momento em que os responsáveis pela Nação estão a descansar (aproveitando o feriado, como de resto seria de esperar). E os manifestantes estão na rua. Sabe Deus a reclamar o quê. Se cada vez que tivesse lugar um pedido de aumento salarial houvesse a consequente anuência por parte do Governo, em menos de nada as agências de "rating" teriam de redefinir a parte negativa da escala que utilizam para classificar a economia dos países. Especialmente a de Portugal, que como já aqui comentei anteriormente, é péssima.
O segundo episódio foi o do Pingo Doce (PD). Devo desde já confessar que soube deste fenómeno digno de registo nos manuais de estudo para os próximos 45 anos...no final do dia. Com muitíssima pena minha. Afinal, um dia, feriado (em que tipicamente há mais disponibilidade por parte das pessoas) e em que um grupo decide conceder um desconto de 50% no que fôr comprado...é obra. E que obra.
Num momento de crise económica como o que vivemos actualmente e em que muita gente já se desdobra para trabalhar em 3 empregos diferentes, toda a poupança é importante. E faz toda a diferença no final de cada mês, em que novos pacotes de medidas da austeridade são anunciados. O que PD não esperava (ou não equacionou) foi a resposta massiva por parte das pessoas. Não tendo acompanhado todo este processo desde o início, tive conhecimento do mesmo através de fotos e de um ou outro vídeo que alguém amavelmente disponibilizou no meio virtual.
Em teoria, sou contra este tipo de promoção. Se porventura tivesse sido questionada a minha opinião acerca da mesma2 ou 3 dias antes, seria exactamente a mesma. E avançaria de imediato com um possível cenário muitíssimo parecido com o que aconteceu. O ser humano tem um comportamento ou modo de agir condicionado por estímulos. Muito análogo ao que Pavlov mostrou com experiências que fez com os cães - reflexo condicionado (também conhecido por Behaviorismo). Outra coisa não seria de esperar que, com uma redução para metade do preço das compras não houvesse uma afluência tão grande como aquela que foi registada. Em todas as lojas do PD espalhadas por esse País fora. Em algumas destas lojas, segundo consta, chegou mesmo a ter lugar "animação" local, interpretada pelos zelosos clientes, que ainda conseguiram distribuir galhetas e puxões de orelhas a outros clientes menos inteirados desta promoção ímpar e que ousaram retirar uma das 34 latas de sardinha que alguém já tinha reservado visualmente para si.
Segundo as últimas notícias, o PD incorre no pagamento de uma multa de cerca de 30.000€. Em causa está o fenómeno de "dumping", que resumidamente consiste na venda de um produto abaixo do preço de custo. Trata-se de uma prática ilegal, na medida em que não promove uma concorrência harmoniosa e transparente. E claro, sacrifica os Fornecedores, situados na "base da pirâmide" e que injustamente acabam por ter de suportar todo o prejuízo.
Sou de opinião que a regulamentação aplicável deveria ser rapidamente revista, por forma a dar cobro a situações deste tipo. Não só salvaguardando os direitos dos Fornecedores, bem como assegurando uma concorrência transparente, e evitando assim convulsões sociais como a que teve lugar.
Domingo, Abril 22, 2012
Dei conta precisamente hoje do quão pode uma pessoa ser complexa. Bem sei que até sou uma pessoa complexa, nem sempre com um raciocínio lógico e imediato, mas há coisas que sem dúvida alguma me ultrapassam. Ou para as quais o meu entendimento não será suficiente.
Quem conduz automóveis, sabe (ou deveria saber) que a manobra de marcha-atrás é complicada e é pelas seguradoras considerada como "manobra perigosa"...não vá qualquer condutor distrair-se e passar sem querer por cima de algum peão incauto que atravessou a estrada a escrever um "sms" para a namorada.
Aqui para o escriba, a manobra de marcha-atrás é bem mais do que isso. Simboliza sofrimento. Piora enormemente quando tenho de estacionar o carro paralelo...ao passeio do lado direito. A razão é sobejamente conhecida. Ainda que haja o retrovisor exterior direito, já tem acontecido tirar um "bife" às jantes deste lado do carro. O que de resto, quem conhece a minha paixão pelos automóveis compreende que isso signifique espetar e rodar uma faca no olho direito.
Imagine-se uma rua larga. Quando escolho o adjectivo "larga", refiro-me a uma rua com uma largura onde um carro normal passaria à vontade. Voltando ao primeiro parágrafo, o que assisti hoje pouco fez-me repensar que afinal até sou bem simples. Estava nessa tal rua estacionado em 2ª fila quando vejo um casal chegar numa carrinha, conduzida por "ele". Deixa -"a" num determinado local. O lógico, havendo vista desafogada, seria que recuasse em marcha-atrás e estacionasse o carro. Mas não. Isso seria fácil de mais. Porque não introduzir uma variável de dificuldade? Vai daí, resolveu fazer inversão de marcha na tal rua. A dada altura pensei que não fosse conseguir tirar a carrinha do meio da estrada (onde ficou atravessada) e a fazer manobras que distavam centímetros de outros carros que já lá estavam. Os carros nem eram meus e comecei a ficar nervoso e sem respiração. Depois percebi o que era pretendido. Afinal era estacionar o carro 2 metros atrás. Mas com a frente virada para a saída!! Tanta complicação quando podia ter puxado o carro atrás e simplesmente ter estacionado.
Há muita gente com os "complicómetros" ligados. Infelizmente. Se pensarmos bem, há vários processos onde o facto de haver alguém complicado, do outro lado...torna os processos ainda mais complicados. Lembro-me por exemplo (e meramente ilustrativo), do que passei aquando do pedido de uma certificação de habilitações na secretaria de uma das faculdades onde estudei. Creio que foi nessa altura que comecei a ter cabelos brancos. Nunca compreendi muito bem como é que uma declaração simples, em que a instituição ateste que fulano "A" teve aproveitamento em meia dúzia de cadeiras "x,y,z..". pode demorar tanto tempo. O que é certo é que a tal certidão, que teoricamente devia ser emitida ANTES de ter sido terminada a frase, demorava não raro um mês. E tenho a certeza absoluta que isto derivava de mentes complexas, quadradas e pouco receptivas à mudança tecnológica que tinham idealizado um sistema infalível..mas moroso. A introdução de um sistema informatizado, actualizado e com informação "up-to-date" pertinente e por aluno tornaria tudo mais célere. Muito mais.
E estes são apenas dois exemplo...entre tantos outros!
Domingo, Abril 15, 2012
Já aqui devo ter escrito sobre as minhas reuniões de condomínio. Estou certo que já. Seria impensável não ter dedicado algum do meu tempo a escrever algumas linhas sobre estas reuniões tão peculiares. Aliás, e se não estou em erro, escrevo sempre que me obrigo a fazer "corpo presente" numa delas. Um ou dois dias depois.
Como é conhecido, uma das coisas que tem o dom de me deixar fora de mim é a pontualidade. Fico ansioso e começo a suar das costas. As palmas das mãos ficam escorregadias e o suor (tipicamente salgado) entra-me pelos olhos dentro deixando-me quase cego. Não entendo porque não são as pessoas pontuais. Há sempre uma treta de uma desculpa. Pois bem, aparte daqueles casos tipo alguém ter-se engasgado com uma espinha do bacalhau, ter levado com a porta do armário da cozinha na testa e ter aberto um lenho de 5 cm ou ter escorregado na banheira e ter feito um entorse no pé, não há justificações para atrasos. Pergunto eu...se há uma convocatória para uma reunião às 2100H, porque teimam as pessoas em aparecer mais tarde? Não compreendo. Se a convocatória fosse feita para as 2300H, em alguns casos apareciam no dia seguinte....Mas aposto que para ver uma dessas novelas fajutas que passa à hora do jantar...é um ver se te avias na cozinha!! Já aqui o escriba, não raro tem comer uma peça de fruta para enganar a fome e chegar a horas à dita reunião. Não acho correcto que os demais condóminos de banqueteiem e dêem um ar da sua graça uma hora depois. Nota: Posso aqui avançar que nas minhas acções de formação é rara a pessoa que chega atrasada. E posso também assegurar que jamais toleraria um atraso superior aos 15 minutos protocolares. Temos pena. Aguente-se e para o ano há mais...
Há uma agenda que é seguida nas reuniões de condomínio. Aliás, como em qualquer reunião que se preze. Essa agenda costuma estar bem clara nas folhas que me são entregues à entrada para a tal reunião (ou colocadas na caixa do correio). Aqui reside outra das minhas questões. Porque razão se demora tanto tempo a debater os pontos? Porque são permitidas discussões "à margem" da reunião? Porque não são as pessoas incisivas, objectivas e sumárias? No final de um dia de trabalho, apetece-me tanto ficar a saber os problemas pessoais de cada condómino como lamber o caule de uma roseira. Pior. Irrito-me comigo mesmo porque invariavelmente sou cavalheiro. Com dois lugares para me sentar, um de cada lado, opto por ficar em pé. Porque há senhoras presentes e porque acho que se podem querer sentar. Afinal, acabamos todos por fazer cerimónia. Ninguém se senta durante toda a reunião. E claro, ao fim de 3 horas (sim, leram bem, três horas de reunião), os meus rins parecem querer explodir. E obviamente começo a ficar impaciente, a olhar insistentemente para o relógio e tento desesperadamente estabelecer contacto visual com o(a) Administrador(a) para que abrevie a sessão para irmos todos embora dormir.
Não preparar uma reunião de condomínio é como ir para um teste à espera que o conhecimento surja durante o mesmo. É mau. E pior. Contrariamente a um teste onde só a asno(a) que não estudou perde o seu tempo (que deve ter a rodos), numa reunião de condomínio há um(a) iluminado(a) que consegue a proeza de fazer perder o tempo do quorum presente. Adoro. Depois de um daqueles meus dias em que só me apetece arrancar o cabelo, uma reunião de condomínio é mesmo a cereja no topo do bolo.
Porque não sou Administrador? Porque não tenho paciência. Nem tampouco tenho tempo ou disponibilidade para estar presente sempre que há uma vistoria à cobertura do telhado ou quando uma das fossas da garagem entope. Tenho para mim a forte suspeita de que, sendo eu Administrador, as coisas não correriam bem para os condóminos faltosos com as suas obrigações. Há carros que pegam fogo misteriosamente. Há tubos de travão que estão sempre a romper. Há pessoas que do nada caem e partem os dentes da frente. Ninguém está livre que um azar lhe bata à porta. E sinceramente, as coisas entravam nos eixos. Se há coisa que detesto...é a tão nossa conhecida "chica espertice" portuguesa. Será que as pessoas não se mancam? Será que acreditam mesmo que toda a gente é desprovida de cérebro e come gelados com a testa? Haja paciência! E menos reuniões destas!!
Domingo, Abril 08, 2012
Nos últimos tempos tenho andado a ler muito sobre micro e macroeconomia. O que não deixa de ser curioso para quem como eu nunca ligou muito a estas disciplinas (microeconomia dada na faculdade). Para quem anda não sabe, há diferenças entre ambas e que resumidamente, tentarei abordar no seguimento do texto de hoje.
A macroeconomia estuda o comportamento da economia como um todo, analisando os
períodos de recuperação (e de recessão), a produção total de bens e os serviços
da economia e o crescimento do produto. Analisa as taxas de inflação e
sua influência no desemprego, os balanços de pagamentos e as flutuações das taxas de câmbio. Prevê o impacto que as
flutuações a curto prazo poderão ter nos ciclos de negócios. Analisa ainda os montantes de
dinheiro em circulação, as variações nos preços (com reflexo salarial), volumes de exportação e importação, etc..
A microeconomia adopta outra abordagem. O foco está nos consumidores e nas empresas (ou meio empresarial, se preferirem). Tendo em linha de conta as preferências dos consumidores (e a utilidade que decorre dessas mesmas preferências) poderão ser traçadas as suas tendências de escolha. É estudada a procura de mercado para um determinado bem ou serviço e consequentemente é relacionada essa demanda com a quantidade do bem que certa empresa deve conseguir ofertar. Por outro lado, em paralelo, é também estudada essa mesma quantidade do bem ofertada (preço e adequabilidade ao mercado tendo em conta a procura do mercado para esse bem).
A microeconomia adopta outra abordagem. O foco está nos consumidores e nas empresas (ou meio empresarial, se preferirem). Tendo em linha de conta as preferências dos consumidores (e a utilidade que decorre dessas mesmas preferências) poderão ser traçadas as suas tendências de escolha. É estudada a procura de mercado para um determinado bem ou serviço e consequentemente é relacionada essa demanda com a quantidade do bem que certa empresa deve conseguir ofertar. Por outro lado, em paralelo, é também estudada essa mesma quantidade do bem ofertada (preço e adequabilidade ao mercado tendo em conta a procura do mercado para esse bem).
Mas vai ainda mais longe. Estuda as relações entre consumidores e produtores. Assim sendo, tem presente os monopólios, oligopólios, monopsónios, a concorrência
perfeita e a clássica teoria dos jogos. Neste disciplina são também delineadas estratégias de maximização de lucros e
minimização de custos para as organizações - que não é mais nem menos que o sonho de qualquer gestor que se preze. Na microeconomia é ainda possível o
desenvolvimento de modelos sociais simplificados, o que
poderá ser útil antes do lançamento de um novo produto novo no mercado sendo este um dos pilares do estudo da
microeconomia.
Tenho aprendido muito com estas minhas leituras. Muito mesmo. Gosto particularmente da microeconomia, por razões óbvias, e claro, porque me parece ser uma realidade mais próxima (micro) e de mais fácil entendimento e assimilação ao invés de uma realidade mais abrangente (macro) para a qual não estarei tão sensibilizado e na medida em que me custa fazer esse tipo de extrapolações.
Mas a escolha deste tema de hoje tem uma razão de ser. Já referi em textos anteriores aquilo que vou dizer seguidamente, mas sem ter recorrido a esta "sustentação" mais técnica / enquadramento que aproveitei hoje para fazer. Basicamente, e mais uma vez, falo dos lucros das empresas que estão situadas em Portugal. Falo daquelas organizações que conseguem vangloriar de lucros com 6 zeros e ainda manter vencimentos "obscenos" para os Administradores. Ou seja, percebe-se agora o porquê de ter feito a introdução que fiz. Falo de macroeconomia (economia nacional) de "mãos dadas" com um contexto de crise económica internacional e ladeado com uma notória retracção do investimento externo (e interno) e ainda do agravamento das condições económicas para o comum dos mortais. Mas falando da nossa realidade.
Faz-me confusão que ainda não tenham sido pensada uma forma de taxar à séria os lucros "fabulásticos" das grandes empresas (algumas delas casos de estudo de monopólio). Parece-me muito pouco razoável (e inteligente) que em tempo de crise económica se permitam algumas "honrosas excepções" a organizações cujos Administradores auferem mais que o Primeiro Ministro. Como se costuma dizer, "o sol quando nasce para todos" e em tempo de crise, não deveriam ser concedidas benesses deste tipo. O argumento deficitário de serem organizações que em breve serão privatizadas faz-me revirar os olhos de tão débil que é. Ou seja, e pegando no exemplo da transportadora aérea nacional. Há mais de 10 anos que se ouve falar na privatização. Nenhum Governo até agora teve coragem de avançar com este processo. Afinal é um "pinga-pinga" necessário. E os contribuintes portugueses até mantêm a empresa subsidiada. Assim sendo, e dado que não está ainda definida uma data para a sua consecução (privatização) os Administradores desta empresa (faz parte do tal grupo de excepções) continuarão a receber vencimentos (em alguns casos) dez vezes superior ao nosso esforçado Primeiro Ministro. Valha-nos a tão esperada (e anunciada) privatização que terá lugar. Um dia destes..
Não desfazendo o necessário (e profissional) trabalho por parte do FMI, não entendo como não se olhou para a "prata da casa" e não se delineou uma estratégia que minimizasse o "fosso" entre aquelas empresas que anunciam lucros com vários algarismos significativos e aquelas que são obrigadas a fechar por via do não cumprimento das suas responsabilidades. Ou seja, não se deve pedir emprestado "lá fora" quando ainda há dinheiro (e muito publicitado) cá "dentro". É isto que não entendo. E ninguém me explica.
Domingo, Abril 01, 2012
Há poucos dias atrás comprei uma mala de viagem. Já há algum tempo que precisava de uma mala para ir no porão do avião, rígida e que me permitisse levar os parcos pertences para cerca de 3 ou 4 dias.
Certamente que não há à venda mala mais discreta do que aquela que comprei. É impossível. Desde sempre que oiço histórias de contrabando de droga, armas e tráfico de orgãos de pessoas que seguem dentro das malas que viajam nos porões dos aviões. Como tal, interiorizei desde o início desta minha compra que a minha mala teria de ser o mais discreta possível para não ser alvo de cobiça por parte dos malfeitores que laboram nesse submundo do carregamento dos porões dos aviões. E se assim o pensei, assim o fiz.
Dificilmente conhecerei uma menina tão prestável e simpática como aquela que me atendeu. Julgo mesmo que a dada altura olhei à minha volta à procura de uma câmara de vídeo. Não é normal alguém ser tão prestável. Tão simpático e ainda conseguir dizer umas piadolas. (Nota: Em 10 piadas, uma teve graça. Mas isso são pormenores).
Quando estamos perante alguém tão simpático, é complicado focarmo-nos nos detalhes técnicos. Como por exemplo, na "definição do código secreto do fecho da mala". Parece simples? Também me pareceu. Talvez por isso mesmo a minha atenção estivesse focada numa pasta de mão que estava em exibição numa zona oposta da loja.
Não conheço muita gente que compre malas de viagem por "desporto". Na generalidade das vezes, quando se compra algo do género, é por necessidade. Também não me admiraria que houvesse um estudo científico encomendado por uma qualquer universidade do Arkansas que reflectisse uma percentagem de 100% de aquisições deste tipo de objecto dois dias antes ou mesmo na véspera da viagem de avião (Nota: Confesso que não me parece muito razoável que alguém compre uma mala deste tipo para levar para o trabalho todos os dias).
Orgulhosamente faço parte da percentagem de pessoas que compra este tipo de mala na véspera da viagem. Já aqui referi anteriormente que não padeço do nervosismo de fazer a mala 3 dias antes. Faço sempre horas antes. É uma questão que tenho bem resolvida interiormente. Mas que tem associadas vantagens e desvantagens. Como vantagens, o não ter mais uma preocupação na minha mente, parece-me ser aquela que mais se destaca. Como desvantagem, o imponderável.
É também conhecida a minha relação próxima com o imponderável. Aquilo que não se consegue prever. É precisamente nesse vasto e produtivo campo da imponderabilidade que normalmente têm lugar as minhas histórias, como de resto também se sabe. Na véspera de uma viagem de avião, e aquando da definição do tal código secreto do fecho, o mesmo só podia deixar de funcionar. O que, como se imagina, me deixou efusivo de alegria, imaginar de imediato que os tais senhores do "submundo da carga dos porões dos aviões" iriam ficar a conhecer a cor das minhas boxers ou se uso meias de algodão ou de fibra. Isto de madrugada e a poucas horas de embarcar. Ou seja, a mala seguiu "aberta" e sem o código secreto introduzido.
Chegado ao meu destino, liguei para a loja das malas. Atendeu-me uma menina (não era a tal que me tinha atendido da outra vez). Fiquei a pensar se lhe teria interrompido alguma tarefa importante (e.g.: tirar os pelos do buço) pela forma menos correcta e agressiva como falou comigo. Resumidamente, entendeu a menina que se o fecho não funcionava, eu não deveria ter usado a mala. Ou seja, não sei como não me ocorreu de madrugada colocar a minha roupa e artigos de higiene pessoal em sacos plásticos. Aqui o asno, sem alternativas (a não ser os sacos plásticos), entendeu levar a mala, apenas com os fechos laterais funcionais. Serviu o seu propósito, quer na ida, quer no regresso.
Agora veremos como será em breve a troca da mala. O tal "Einstein" disse-me para passar por lá com a mala, como quem diz que aqui o jumento devia estar a fazer algo de errado, na definição do código secreto. Sempre quero ver a cara dela quando perceber que efectivamente não dá. E mais. Quero que me diga que alternativa sugeria ela que eu adoptasse para ir de viagem (sem a mala) e como iria eu experimentar a colocação do código secreto...sem utilizar a mala...Santa Paciência!
Domingo, Março 25, 2012
Há um fenómeno que seria interessante de constituir objecto de estudo por parte de uma dessas universidades norte-americanas que se dedicam ao estudo de nobres causas. As mesmas que se preocupam com a melhor época para a reprodução do cervo almiscarado negro (que afinal não pertence à família dos cervídeos) ou o ainda com a clássica questão do porquê da gestação do macaco-aranha durar entre 226 e 232 dias. Coisas importantes, portanto.
O tal fenómeno que me refiro no início do texto tem que ver com a "corte". Seria muitíssimo interessante aferir a percentagem de homens que perpetua a corte junto às suas namoradas / mulheres depois de conseguir a sua atenção ou mesmo de ter conseguido encetar um relacionamento afectivo. Não me admiraria que se apurasse um valor percentual inferior ao número de políticos honestos. Rapidamente, e sem grande esforço, é possível perceber o quão ridículos são os homens nesta fase em que estão enamorados / encantados / deslumbrados. Aliás, estou em crer que, se alguns homens vissem as figuras que já fizeram....discretamente procurariam o conforto (e sombra) de um rochedo próximo, para se esconder, e para sair debaixo do mesmo por altura do Natal de 2034. Nota: Em alguns casos deve ser motivo de conversa (leia-se gozo) entre grupos de amigas. É triste a realidade...mas há homens que são ridiculamente óbvios e básicos.
A razão pela qual alguns homens pecam pela falta de inovação / criatividade tem uma explicação. Ou culpa. As mulheres. Pois é, as mulheres são as verdadeiras culpadas. Passo a explicar. Actualmente, a taxa de divórcios é similar à taxa de casamentos. Quer isto dizer que as pessoas casam-se com facilidade e com uma facilidade ainda maior se divorciam. Até aqui nada de novo. A questão é que se cria um défice afectivo. Ou seja, por outras palavras, a razão entre o que se quer "dar" e o que se "recebe", em termos de capital afectivo e naquele momento, é negativa. E assim sendo, em menos de nada chega-se a um estado de carência permanente, quer nos homens, quer nas mulheres.
Se o estado de carência dos homens é marcado por diversas situações que num estado normal não têm lugar (e.g.: a voz ao telefone deixa de ser máscula passando a um irritante timbre de adolescente imberbe - nunca percebi bem o porquê dos homens pensarem que as mulheres gostam de vozes mais finas, estupidamente enviam mais de 5 mensagens de telemóvel no mesmo dia ou ainda enviarem um postal electrónico sem razão aparente, quando nunca o fizeram antes - por não saberem sequer escrever correctamente o seu nome). São situações atípicas na generalidade dos homens. E tudo isto aliado ao facto de pensarem com a "segunda cabeça". A dada altura...passa a comandar uma série de acções, e aqui sim, podem culminar em abordagens básicas, primárias e que em vez de aproximar uma mulher, afastam-na.
No caso das mulheres (quase todas), a questão não é muito diferente. Também há carência nas mulheres. Contudo, as mulheres gerem a sua carência afectiva de outra forma. Primeiro racionalmente e só depois emocionalmente. Como consequência imediata, isto faz com que o "até que enfim", o momento tão desejado pelos homens seja protelado para algum momento futuro. Indefinido. Algures no futuro, sem pressa e sem pressões, pensa conscientemente a mulher. E isto faz com que sejam conhecidos casos de alguns homens que se começam a roçar nas paredes ou descubram prazer no esfregaço de urtigas nas "partes baixas". Enquanto não chega esse tão esperado momento.
Assim sendo, percebe-se que as carências de ambas as partes propiciam que tudo o resto seja "acelerado". São "queimadas" etapas e não raro a mulher passa a achar piada a alguma graçola mais seca que o árido deserto do Sinai. Ou seja, deixa-se "levar" por um tipo que nem sequer é o seu género de homem. Daí eu dizer que a culpa é das mulheres. Facilitam. Deixam-se levar pelas emoções quando em certos momentos deviam ser racionais. Nota: Não me tentem convencer que o aspecto físico de uma pessoa não conta, porque questiono de imediato se alguém consegue ver beleza num homem / mulher sem dentes à frente.
Não conheço a realidade de outras sociedades além da portuguesa. Do que conheço da nossa, reconheço que há efectivamente uma falta de bom senso, cuidado e sobretudo conhecimento do sexo oposto. Embora as pessoas (mais os homens) assumam que conhecem quem têm ao lado, não é verdade. E um dia que questionem a cara-metade se tudo o que lhes fazem lhes agrada, talvez fiquem surpresos com a resposta. E esta situação remete para uma diferença básica no binómio "homem-mulher". A mulher é usualmente mais permissiva e tolerante com os erros dos homens. Por outras palavras, tolera mais. Muito mais. Até ao dia em que uma coisa de somenos importância assume proporções dantescas. E "entorna-se o caldo ".
O período de encantamento é delicioso. Para ambas as partes. A corte, mantida, é algo ímpar e que poderá sugerir uma relação duradoura, verdadeira e acima de tudo, vivida a dois. A questão é que dura pouco. E quando uma das partes sente isso...é complicado que a relação dure. Ou pelo menos dure sem que haja acomodação - pior inimigo da relação.
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